sábado, 25 de julho de 2015

O dia em que caí nas profundezas da Educação Domiciliar

A sensação é exatamente essa: a de mergulhar em águas profundas. Nunca imaginei que, que beirandos 40, fosse aprender tanto quanto nos últimos meses. Tudo começou no dia em que resolvi dar um pouquinho mais de atenção ao que eu já conhecia apenas de ouvir falar: Homeschooling.

Muito popular em diversos países desenvolvidos do Ocidente, o Homeschooling, que nada mais é do que Educação Domiciliar, sempre foi algo marginalizado e até mesmo passível de penalidades em nosso país. Ao que parece, com a graça de Deus, já temos obtido algum avanço no que tange a essa prática, e que deve, em especial, à diligência de muitos pais que vêm lutando para resgatar esse que é um direito das famílias, o de ter o prazer e a honra de educar seus filhos pessoalmente, e em casa.



Uma das primeiras lições que posso tirar até aqui é a de que os filhos, exatamente como são, com suas dificuldades e aptidões, com seus déficits e habilidades, talvez sejam a maior oportunidade para os pais mergulharem de cabeça nas profundezas do saber. Hoje, mais do que nunca, consigo enxergar nas capacidades de cada uma das minhas filhas, mas mais ainda em suas inabilidades, o quanto sou abençoada por ter a chance de sair numa busca incessante para auxiliá-las com idoneidade em sua formação. Essa foi minha principal motivação ao ousar os primeiros passos rumo à descoberta do que seria Educação Domiciliar, quais seus pressupostos e características.

O primeiro impacto, embora muito positivo, quase me levou ao chão. Digitar a palavra “homeschooling” no Google, levou-me a conhecer uma infinidade de recursos, material didático, ferramentas pedagógicas, literatura, softwares e uma gama infinita de possibilidades. Foi preciso um certo tempo pra digerir tanta informação e achar uma maneira de organizar as ideias. Tive que acionar os amigos que já tinham algum contato com o assunto pra continuar minhas andanças. Compartilhei minhas dúvidas com minha amiga, Ligian, que reside nos EUA há um ano e meio, e já vinha dividindo algumas de suas percepções sobre o assunto. Afinal, amiga é pra essas horas mesmo! Por meio dela tive acesso ao blog "Encontrando Alegria", de Gustavo e Camila Abadie, um casal que não só pratica o homeschooling no Brasil, como também tem sido generoso em partilhar seu conhecimento e experiência. Percebi, logo de cara, que o conhecimento envolvido era incrivelmente mais profundo do que eu poderia prever.  E a frase célebre de Sócrates, “Só sei que nada sei”, ecoou em minha mente.

O contato com os textos e palestras da Camila e do Gustavo, me levou à leitura de “Maquiavel Pedagogo”, do filósofo francês, Pascal Bernardin, e uma angústia, já presente, advinda de algumas impressões pessoais em relação ao desempenho das meninas, agravou-se um pouco mais. Ter acesso às premissas por traz do projeto educacional que vem sendo discutido e disseminado pela UNESCO e outros órgãos e instituições responsáveis pelos rumos da pedagogia moderna, foi avassalador. Em resumo, nos últimos cinquenta anos, nossas crianças têm sido cobaias de um experimento que visa, principalmente, criar um novo modelo de sociedade. Ou seja, o conhecimento, a educação formal, perdeu espaço para a educação social. E o que é pior: uma das principais formas de se obter o resultado esperado é ceifando da família a responsabilidade e o direito de educar formalmente, ou até mesmo transmitir valores aos próprios filhos.  Sob o falso argumento de que crenças e convicções podem ser portas abertas para algum tipo de discriminação ou preconceito, famílias têm se intimidado com a ideia de que são incapazes de educar seus filhos e, portanto veem-se absolutamente dependentes de outros educadores. Assim, temos sido mantidos em estado de inércia, e fomos neutralizados a tal ponto que nos sentimos impotentes diante de tamanha degradação moral e cultural na qual se encontra nossa sociedade.

O que dizer? Meus olhos estão sendo direcionados a uma nova perspectiva. Consigo enxergar com clareza o quanto as dificuldades de minhas filhas se transformaram em fonte de bênção, pois por meio delas passei a trilhar novos caminhos. Estou realmente impressionada e muito grata por tudo que tenho aprendido. Acessar esse universo incrivelmente rico e cheio de nuances libertárias foi como abrir um portal para uma nova dimensão!

No próximo post pretendo abordar os pressupostos do Homeschooling: A Educação Clássica!

Um comentário:

  1. Muito bom!
    Também li Maquiavel Pedagogo! Sim, Angústia é a palavra certa!

    ResponderExcluir