terça-feira, 10 de junho de 2014

O problema do cisco e da trave...

De uns tempos pra cá, tenho notado entre alguns círculos cristãos uma ênfase diferente no que tange à pregação do Evangelho. 
Pra ser mais específica, o que está em voga hoje, pelo menos aqui no Brasil é uma preocupação com o papel da Igreja frente aos excluídos da sociedade, aos menos favorecidos, aos esquecidos pelas autoridades e ignorados pelo restante da população. De fato, tal problemática jamais pode deixar de estar em pauta entre aqueles que foram chamados para fazer parte da família de Deus por meio da morte de Cristo, já que como a própria Palavra diz, todos nós éramos filhos da ira e por natureza inimigos de Deus. E Paulo, aos irmãos de Éfeso ainda nos revela que na verdade, todos nós andávamos mortos em nossos delitos e pecados, éramos miseráveis,  e  totalmente indignos da presença de Deus.

Por conta dessa visão, ao termos nosso coração transformado pela ação do Espírito Santo, passamos a experimentar uma novidade de vida tal que toda a nossa sorte é mudada em virtude desse acontecimento, do novo nascimento. 
Isso não significa que todos os nossos problemas são sanados na conversão, mas representa uma mudança tal que nenhum tipo de adversidade, por mais dolorosa que seja, é capaz de nos tirar a alegria de uma nova esperança, agora implantada no coração. Aliás, esse é um ponto importante para esclarecer inclusive que, a cada um, Deus trata peculiarmente. 

Digo isso porque, na tentativa de chamar a atenção dos cristãos frente à realidade hostil que nos rodeia, principalmente quando somos confrontados com um contexto de miséria e carestia, alguns irmãos tem chegado ao ponto de confundir bênçãos materiais com amor ao dinheiro.
Buscando abrir os olhos para um problema que merece atenção, correm o risco de julgar dádivas e presentes que Deus oferece com prazer a seus filhos enxergando tais circunstâncias como fincar raízes neste mundo terreno. A pergunta que eu faço é: está correto pensar dessa maneira? Será que nossa fé é tão pequena a ponto de ignorarmos a mão bondosa e generosa do Senhor na vida de nossos irmãos? Não seria esse também um pecado, quando ao invés de nos alegrarmos com as bênçãos que Deus oferece a alguém olhamos tais benefícios como sendo apego a este mundo? Será que não estamos confundindo preocupação com um sentimento de inveja?

É bem verdade que existem várias passagens na Bíblia que nos mostram o quanto é difícil alguém servir a Deus sendo rico. O caso do jovem para o qual Jesus diz que deveria vender suas propriedades e distribui-las aos pobres revela, pela reação de tristeza do rapaz, que seu coração não estava liberto do amor ao seu dinheiro. Também Jesus mostra, logo em seguida, que seria mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Mas não podemos desconsiderar a intrigante pergunta dos discípulos em seguida: "Neste caso, quem pode ser salvo?" A essa questão, nosso Senhor Jesus dá a seguinte e maravilhosa resposta: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis”.

O que podemos entender de tudo isso é que muitas vezes, nós como igreja, somos omissos em socorrer e acolher o necessitado, mas, por outro lado, não devemos impor um jugo sobre outros irmãos que foram abençoados por Deus com riquezas, e que além de tudo, tem inclusive sustentado a obra de Cristo com seus bens. Aliás, Deus já me concedeu a oportunidade de conhecer pessoas tão abastadas, mas ao mesmo tempo dotadas de tamanho um desprendimento, que na mesma medida em que doavam de suas posses e talentos, Deus as recompensava ainda mais. Essas experiências independem do volume de bens que alguém possa acumular, afinal o apego ao dinheiro está atrelado à cobiça e não ao saldo na conta. Amar o dinheiro está errado. Se omitir da responsabilidade em acudir o órfão e a viúva também. Mas criticar aspectos da vida de um irmão que está usufruindo de seus bens sabendo que isso não se configura um pecado deliberado é, no mínimo, uma demonstração de um certo grau de inveja. Taí um pecado com o qual não gostamos de lidar e que dificilmente temos coragem de admitir. 

Enfim, penso que essa deve ser uma luz a acender em nossas mentes, nos fazendo refletir sobre o modo como enxergamos nossa própria vida e a de nosso irmão. Não podemos jamais nos esquecer que o coração é desesperadamente corrupto e até mesmo quando estamos tentando praticar a santidade podemos ser pegos em sutilezas pecaminosas. A Escritura nos revela que é pelos frutos que conhecemos um verdadeiro servo de Deus, mas aqui neste caso, como seremos capazes de comprovar que um determinado irmão está amando o dinheiro simplesmente por desfrutá-lo? Só podemos apontar o erro quando este for comprovado e claro na Palavra, senão seremos os novos fariseus preocupados com o "cisco" sem notar a "trave"... 

Um comentário:

  1. Blog encantador,gostei do que vi e li,e desde já lhe dou os parabéns,
    também agradeço por partilhar o seu saber, se achar que merece a pena visitar o Peregrino E Servo,também se desejar faça parte dos meus amigos virtuais faça-o de maneira a que possa encontrar o seu blog,para que possa seguir também o seu blog. Paz.
    António Batalha.

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