sábado, 26 de abril de 2014

Dona de casa, mãe, profissional... O que Deus quer de mim? (parte 2)

No último post, (clique aqui) tratamos de mostrar a evolução do Movimento Feminista e sua influência no pensamento da sociedade de hoje, inclusive no meio cristão. Terminamos com a seguinte pergunta: “Mas afinal, porque os ideais do Movimento Feminista foram tão amplamente aceitos e absorvidos até mesmo por mulheres que amam a Deus e sua Palavra?”

Pois bem, podemos responder essa questão sob a seguinte perspectiva:

1.      O Movimento Feminista surgiu com um objetivo legítimo: contrapor-se ao que conhecemos por machismo. O machismo nada mais é do que uma deturpação do modelo de liderança masculina criado pelo próprio Deus. Em outras palavras, esse desvirtuamento do que Deus planejou como papel a ser desempenhado pelo homem, fez com que seu olhar sobre o valor e importância da mulher ficasse contaminado por suas aspirações pecaminosas. Como resultado, por muitos e muitos anos, até mesmo dentro da cultura judaica, a mulher foi considerada um ser inferior, de somenos importância, deixando de ser valorizada em suas características e capacidades. Sob essa ótica corrompida, muitos de seus direitos e reconhecimento foram ceifados, ela passou a ser de certa forma subjugada, sendo muitas vezes tratada com austeridade por seu marido. Olhando por esse ângulo, é possível notar o quanto o machismo adulterou o que Deus havia instituído, disponibilizando então ferramentas que foram utilizadas pelo Movimento Feminista. A publicação de um texto intitulado:  “Vindicação dos Direitos da Mulher”, publicado na primeira metade do século XVIII, é uma prova disso.

Diante de tal perspectiva, podemos pensar que tais reivindicações tiveram um motivo justo e não é de se estranhar o quanto essa nova visão foi difundida e amplamente abraçada por mulheres do mundo inteiro.

2.      Mas há uma outra razão que explica a grande adesão ao Movimento Feminista. A verdade é que ele toca num dos ídolos do coração da mulher, que é o seu desejo de governo! Há no nosso coração feminino (sensível, delicado... rs...) uma marca da Queda, um impulso que nos faz aspirar por comando. O problema é que nós não fomos criadas para isso, Deus nos cria para ser auxiliadoras e não chefes. Embora a luta desse movimento tenha sido pelo resgate do valor que o próprio Deus conferiu à mulher, e podemos estar certas desse valor que é nítido em diversos textos da Palavra (Confira: Gn 2.18; Ex 20.12; Ef 6.2; Pv 1.8), o feminismo caminhou alijado das Escrituras e pendeu a um outro extremo. Na tentativa de trazer de volta a importância do papel da mulher tal visão também foi deturpada, gerando uma total inversão de papéis. Agora, a mulher não é vista como inferior, mas também não anda em paralelo ao homem, ela assume a liderança, crendo que (como vimos no post anterior) não deve se submeter aos comandos de seu marido.  

É verdade que olhar pra nós mesmas dessa maneira pode ser muito doloroso, mas jamais devemos nos esquecer que a luta contra o pecado é doída e não podemos sucumbir a ela

Voltemos ao texto de Gn 3.16. Observamos que Deus profere ali um sentença como resposta ao pecado cometido por Eva. Olhamos esse texto sempre de forma negativa, principalmente quando nos deparamos com a expressão: “seu desejo será para o seu marido, e ele te governará”. Mas é preciso encarar essa frase com mais cuidado. Se pararmos para analisar a atitude de Eva, vamos perceber que ela tomou a iniciativa de comer do fruto da árvore que Deus havia ordenado que não fosse consumido. Ela passou ao posto de liderança, não consultou seu marido antes de tomar essa decisão, agiu por conta própria, vislumbrada pela possibilidade de ser conhecedora do bem e do mal. E todas nós sabemos qual foi a consequência de tal atitude. 
Quando Deus então profere essa sentença a Eva, suas motivações, embora passem por sua ira e justiça, são também baseados em seu amor infinito. O “castigo” ali proferido, na verdade deixa transparecer esse amor, pois sua intenção é restaurar aquilo que ele mesmo criou.  Ao pronunciar aquelas palavras podemos notar o quanto Deus mostra seu cuidado para com Eva, ao resguardá-la de seu desejo por domínio, ensinando-a a confiar ao seu marido a liderança de seu lar.

Você já havia analisado o texto de Gênesis 3 sob esta ótica? Com essa visão, deveríamos ainda mais glorificar a Deus por fazer tudo de forma tão perfeita, dispondo as coisas em seus devidos lugares, mostrando que homens e mulheres são valorosos aos olhos do Senhor, cada um à sua maneira.


No próximo post, vamos tratar com mais detalhes as consequências do Feminismo no cotidiano, e como Deus e sua Palavra nos exortam a resgatar os planos que ele mesmo traçou para nós. Aguarde!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dona de casa, mãe, profissional... o que Deus quer de mim? (parte 1)

Antes de iniciarmos nossa reflexão, é preciso que tomemos algumas atitudes importantes:

- Primeiro, temos de admitir que esse é um assunto um tanto complexo, polêmico, e que tem gerado muitas dúvidas e equívocos em nossos dias. Por isso, para tratarmos da questão com muita cautela e seriedade é fundamental que comecemos nos colocando diante de Deus em atitude de oração. Peça a Deus que seja ele o real mensageiro deste estudo, usando apenas um vaso de barro para a explanação de sua Palavra. Rogue a ele para que sua voz seja reconhecida enquanto investiga esse tema.
- Em segundo lugar, é imprescindível uma postura de total e sincera humildade. Todos nós já temos ideias pré-concebidas, opiniões, sobre o assunto em questão. Por isso, após orar ao Senhor, tente despojar-se de todas as suas concepções, seus pressupostos pessoais a fim de que seja possível ser moldada conforme a Palavra de Deus. Devemos estar dispostas a talvez derrubar alguns pilares sobre os quais nos alicerçamos, pois muitos deles podem ser enganosos e mundanos. Nossa postura diante das Escrituras deve nos levar a um constrangimento tal que sejamos capazes de jogar por terra os ídolos do nosso coração!

Devemos tentar responder as seguintes perguntas:
- É pecado a mulher cristã trabalhar fora de casa?
- É errado a mulher querer ter uma carreira?
- À luz da Bíblia, é errado que a mulher queira estudar, se formar e buscar conhecimento?

Mulher trabalha fora: de onde veio essa ideia?

Muitas mulheres, ainda que de forma equivocada, lançam mão do texto de Provérbios 31 pra dizer que a Bíblia autoriza a mulher a exercer uma profissão fora de seu lar. Não quero dizer com isso que ela desautoriza, mas primeiro é preciso analisar o argumento que tem esse texto como respaldo.
É verdade ser possível encontrar alguns indícios de que aquela mulher descrita pelo Rei Lemuel, a chamada “mulher virtuosa”, possuía dupla jornada, exercendo atividades que ultrapassavam a esfera de seu lar.
Veja os seguintes versos: “Como os navios mercantes, ela traz de longe as suas provisões.” (v. 14); “Ela avalia um campo e o compra; com o que ganha planta uma vinha”. (v. 16); “Administra bem o seu comércio lucrativo, e a sua lâmpada fica acesa durante a noite”. (v. 18).

Embora os versículos destacados nos deem margem para pensar que a mulher virtuosa trabalha dentro e fora de sua casa, não podemos jamais nos esquecer do contexto em que essa situação se dava.  Ler o texto sem a preocupação de contextualizá-lo pode nos levar ao risco de interpretá-lo erroneamente.

Ao analisarmos Provérbios 31.10-31, devemos levar em conta as características do modelo econômico da época em que o livro foi escrito. O que predominava no período era a economia de subsistência, ou seja, o sustento da família provinha do próprio lar. Cada núcleo familiar tinha domínio sobre uma porção de terra, a qual era utilizada para semear, criar animais, e assim suprir as necessidades da casa. Os filhos, na medida em que iam crescendo, também participavam de tais atividades. Os meninos, como os filhos de Jacó, ou os filhos de Jessé, muitas vezes acompanhavam seu pai cuidando dos rebanhos e realizando trabalhos mais pesado. Já as filhas eram educadas para realizar atividades e tarefas domésticas, cuidar do preparo de alimentos, confecção de roupas, e outros detalhes que cabiam à mulher. Enfim,  homens e mulheres exerciam funções diferentes, visando o bem comum de seu lar. Diante disso, é errôneo afirmar que o texto de Provérbios 31 nos dá margem para defender o trabalho da mulher fora do âmbito familiar, já que ela jamais abria mão de sua responsabilidades como esposa e mãe, tão evidentes na passagem.

Mas afinal, de onde vem essa ideia? Quando foi que as mulheres começaram a deixar suas tarefas domésticas e a se inserir no mercado de trabalho?

Não há como discorrer sobre essa questão sem falar sobre o Movimento Feminista.
Vejamos como se deu a evolução do movimento:

  • As primeiras concepções do Movimento Feminista surgem logo após à  Revolução Francesa, quando em 1848 acontece a Convenção dos Direitos da Mulher na cidade de Nova York.
  • Depois, com a Revolução Industrial no século XVIII e a presença de muitas mulheres e inclusive crianças, em postos de trabalho iguais aos dos homens, o movimento ganha força.
  • Um outro fator de influência foi a proposta de luta de classes do marxismo. Essa visão contribuiu para fomentar a ideia de que a mulher deveria ser livre da “opressão” de seu marido, já que esse modelo de relação familiar, no qual o homem é o provedor e líder, passou a ser visto como nocivo às liberdades individuais.
  • Já no século XX, com força total, as ideias do Movimento Feminista passam a compor o pensamento da sociedade contemporânea, alimentando ainda mais a visão de que a mulher não precisa e nem deve depender do homem para alcançar seus objetivos. Sua luta passa a ser pela defesa de seus direitos às últimas consequências, buscando uma suposta liberdade e independência, e tentando ocupar postos até então de predomínio masculino.

Enfim, todos esses elementos levaram muitas mulheres a mudar o modo de enxergar sua própria vida. Elas passaram a olhar com desprezo seu papel de esposa, dona de casa e mãe. Sua visão sobre o homem se tornou distorcida. Agora, ele não é mais visto como o cabeça, o líder de seu lar, e sim como um igual, ou alguém indigno da submissão de sua esposa. Essa nova perspectiva casou um impacto profundo no que tange ao papel da mulher, tornando a busca por uma profissão sua fonte de realização e uma forma de alcançar destaque na sociedade.

Agora, vamos refletir um pouco. Diante de todos esses aspectos será que não há algo errado? Será que somos capazes de notar o quanto eles estão distantes dos preceitos bíblicos que Deus deixou para nós, mulheres cristãs? Será que tal ponto de vista tem nos levado a honrar a Palavra e validar seus ensinamentos em nosso cotidiano?
Mas afinal, porque os ideais do Movimento Feminista foram tão amplamente aceitos e absorvidos até mesmo por mulheres que amam a Deus e sua Palavra?

Podemos responder a essa pergunta e existe uma explicação para isso. Não perca o próximo post!