quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Não confunda socialismo com justiça social


Essa semana tive a chance de me deparar com dois textos que circularam pelas redes sociais e me deixaram simplesmente chocada (se é que ainda é possível se chocar com alguma coisa que acontece no Brasil).
Um deles, publicado pelo portal Yahoo de notícias, traz o seguinte título: “Grupo enviado por Maduro ao Brasil dá aulas de socialismo ao MST”. (confira aqui). É isso mesmo. Estamos falando nesse caso, de um grupo enviado pelo atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que parece estar exportando know-how para integrantes do Movimento sem Terra aqui no Brasil.

Diante de tal matéria, me fiz a seguinte pergunta: o que mais é preciso acontecer para que o nosso país acorde? Sinceramente, não sei. E o que aumenta o meu assombro diante de um fato como esse é pensar que os reais, os verdadeiros sem teto, sem comida, sem roupa, sem saúde, estão sendo literalmente usados para cavar sua própria cova! Faço minhas as palavras da conivente presidente Dilma: “é estarrecedor”! E essa não é uma questão de ser ou não a favor dos benefícios sociais. Haja vista a realidade de muitos conterrâneos nossos, para os quais fazer mais de uma refeição por dia é artigo de luxo. A questão é: é isso o que se chama de justiça social?

Somada a essa notícia, um artigo da colunista Aina Cruz, redatora do Brasil Post (confira aqui), também me causou um certo espanto. O texto, escrito em leve tom de ironia, parece querer esclarecer ao leitor que medidas adotadas pelo atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ao pintar a cidade com faixas vermelhas para ciclistas e brancas para ônibus são sinônimo de grandes passos em nome das classes menos favorecidas. Ela chega a dizer que, alguns paulistanos, que ela carinhosamente chama de “nossa elite”, “ficam extremamente chateados com o fato de demorarem no trânsito e acreditam que quem é pobre e não tem um carro, tem mais é que perder duas horas mesmo no trânsito dentro do ônibus. ‘Ah, eles já estão acostumados com isso! Moram lá longe! Deixa eles...!’. Defendem que a prefeitura deveria criar mais vias de acesso rápido para carros, como as marginais, por exemplo, e não desperdiçar o dinheiro público investindo num tipo de transporte que contemple todos os cidadãos da cidade.” (Não duvido que ela tenha ouvido isso de alguém, mas será que é justo colocar tais considerações na boca de todos os que ela chama de “nossa elite”?)

No meu entender, investimento em transporte público vai muito além do que pintar a cidade. Ou será que sou eu que estou confundindo as coisas? Será que sou só eu a constatar diariamente que os executivos da cidade continuam em seus carros horas a fio enquanto os mais carentes amargam as mesmas horas enfileirados em faixas de ônibus? O correto não seria possibilitar que todo tipo de profissional partilhasse o mesmo espaço e gastasse um tempo digno pra chegar ao seu trabalho?
Essas duas publicações me chocam por mostrarem o quão entorpecente pode ser esse discurso de esquerda, ou socialista, como queiram.  A redatora que citei acima, chega a afirmar que a “elite” está inconformada “com o fato de outras pessoas se refestelarem assim, do nada, ocupando o seu espaço", afirma ela.

Mas será que é isso mesmo? Será que ela tem razão? Esse é o pensamento da maioria? Ou será que levar uma vida decente, e colher o fruto do seu trabalho, se tornou um pecado a ser condenado e  a “elite” deveria pagar caro por isso?
O que me deixa inconformada é saber que aqueles que dizem defender as classes menos favorecidas, parecem se contentar com essas supostas conquistas do povo. Enxergam estas pinceladas de tinta como um grande avanço! Como podem ignorar o fato de que muitos que hoje circulam livremente pelas ruas da cidade, em suas bicicletas e coletivos, sequer podem sonhar em provar de uma refeição num bom restaurante ou pagar com seu salário um ingresso para o teatro ou cinema! Comprar um livro, então, seria o cúmulo da ostentação! (Ah, se mais brasileiros consumissem livros, talvez nem estivesse escrevendo esse texto...) Ora, todas essas coisas não são boas, saudáveis, legítimas?

E o que dizer dos adolescentes, que receberam tanta atenção do referido prefeito, depois de protagonizarem os chamados “rolezinhos”, alguns inclusive, realizados nos shoppings mais caros da cidade? Vale lembrar que nunca houve qualquer impedimento em relação à entrada desses jovens por esses locais. Agora, a pergunta que se faz é: será mesmo que frequentar esses espaços é o suficiente? Eles só querem estar lá? Ou no fundo sonham um dia serem financeiramente preparados para adentrar uma daquelas lojas e realizar uma compra? Por que será que muitos desses jovens passaram a comprometer, por exemplo, sua própria saúde ao consumirem acessórios de aparelhos dentários falsos a fim de se parecerem mais com a chamada “elite”? Eles não deveriam ter garantido o acesso a um tratamento dentário de qualidade? Quantos já não perderam a vida em brigas fúteis? Quantos estão desperdiçando sua juventude consumindo drogas como se fossem um pedaço de chocolate comprado na vendinha da esquina? E o que dizer do aluguel de Iphones? Das camisetas falsificadas com estampas de grife?

Será que esse é o objetivo? Será mesmo que a solução é entregar aos nossos patrícios um mundo falso e maquiado, que seja, em teoria, suficiente para aplacar a NOSSA consciência social? (Afinal de contas, eles estão saindo de seus bairros carentes e circulando por aí...). A resposta, infelizmente, parece ser sim. E só há o que se lamentar, afinal, com o Brasil completamente falido em termos financeiros, até a make up vai ficar escassa.
E isso me traz à mente o que disse Jesus, certa vez, a uma enorme multidão atenta, que o acompanhava: “Felizes são aqueles que têm fome e sede de justiça, pois serão fartos”.
A verdade, ao que parece, é que alguns de nós se saciaram cedo demais.


terça-feira, 10 de junho de 2014

O problema do cisco e da trave...

De uns tempos pra cá, tenho notado entre alguns círculos cristãos uma ênfase diferente no que tange à pregação do Evangelho. 
Pra ser mais específica, o que está em voga hoje, pelo menos aqui no Brasil é uma preocupação com o papel da Igreja frente aos excluídos da sociedade, aos menos favorecidos, aos esquecidos pelas autoridades e ignorados pelo restante da população. De fato, tal problemática jamais pode deixar de estar em pauta entre aqueles que foram chamados para fazer parte da família de Deus por meio da morte de Cristo, já que como a própria Palavra diz, todos nós éramos filhos da ira e por natureza inimigos de Deus. E Paulo, aos irmãos de Éfeso ainda nos revela que na verdade, todos nós andávamos mortos em nossos delitos e pecados, éramos miseráveis,  e  totalmente indignos da presença de Deus.

Por conta dessa visão, ao termos nosso coração transformado pela ação do Espírito Santo, passamos a experimentar uma novidade de vida tal que toda a nossa sorte é mudada em virtude desse acontecimento, do novo nascimento. 
Isso não significa que todos os nossos problemas são sanados na conversão, mas representa uma mudança tal que nenhum tipo de adversidade, por mais dolorosa que seja, é capaz de nos tirar a alegria de uma nova esperança, agora implantada no coração. Aliás, esse é um ponto importante para esclarecer inclusive que, a cada um, Deus trata peculiarmente. 

Digo isso porque, na tentativa de chamar a atenção dos cristãos frente à realidade hostil que nos rodeia, principalmente quando somos confrontados com um contexto de miséria e carestia, alguns irmãos tem chegado ao ponto de confundir bênçãos materiais com amor ao dinheiro.
Buscando abrir os olhos para um problema que merece atenção, correm o risco de julgar dádivas e presentes que Deus oferece com prazer a seus filhos enxergando tais circunstâncias como fincar raízes neste mundo terreno. A pergunta que eu faço é: está correto pensar dessa maneira? Será que nossa fé é tão pequena a ponto de ignorarmos a mão bondosa e generosa do Senhor na vida de nossos irmãos? Não seria esse também um pecado, quando ao invés de nos alegrarmos com as bênçãos que Deus oferece a alguém olhamos tais benefícios como sendo apego a este mundo? Será que não estamos confundindo preocupação com um sentimento de inveja?

É bem verdade que existem várias passagens na Bíblia que nos mostram o quanto é difícil alguém servir a Deus sendo rico. O caso do jovem para o qual Jesus diz que deveria vender suas propriedades e distribui-las aos pobres revela, pela reação de tristeza do rapaz, que seu coração não estava liberto do amor ao seu dinheiro. Também Jesus mostra, logo em seguida, que seria mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Mas não podemos desconsiderar a intrigante pergunta dos discípulos em seguida: "Neste caso, quem pode ser salvo?" A essa questão, nosso Senhor Jesus dá a seguinte e maravilhosa resposta: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis”.

O que podemos entender de tudo isso é que muitas vezes, nós como igreja, somos omissos em socorrer e acolher o necessitado, mas, por outro lado, não devemos impor um jugo sobre outros irmãos que foram abençoados por Deus com riquezas, e que além de tudo, tem inclusive sustentado a obra de Cristo com seus bens. Aliás, Deus já me concedeu a oportunidade de conhecer pessoas tão abastadas, mas ao mesmo tempo dotadas de tamanho um desprendimento, que na mesma medida em que doavam de suas posses e talentos, Deus as recompensava ainda mais. Essas experiências independem do volume de bens que alguém possa acumular, afinal o apego ao dinheiro está atrelado à cobiça e não ao saldo na conta. Amar o dinheiro está errado. Se omitir da responsabilidade em acudir o órfão e a viúva também. Mas criticar aspectos da vida de um irmão que está usufruindo de seus bens sabendo que isso não se configura um pecado deliberado é, no mínimo, uma demonstração de um certo grau de inveja. Taí um pecado com o qual não gostamos de lidar e que dificilmente temos coragem de admitir. 

Enfim, penso que essa deve ser uma luz a acender em nossas mentes, nos fazendo refletir sobre o modo como enxergamos nossa própria vida e a de nosso irmão. Não podemos jamais nos esquecer que o coração é desesperadamente corrupto e até mesmo quando estamos tentando praticar a santidade podemos ser pegos em sutilezas pecaminosas. A Escritura nos revela que é pelos frutos que conhecemos um verdadeiro servo de Deus, mas aqui neste caso, como seremos capazes de comprovar que um determinado irmão está amando o dinheiro simplesmente por desfrutá-lo? Só podemos apontar o erro quando este for comprovado e claro na Palavra, senão seremos os novos fariseus preocupados com o "cisco" sem notar a "trave"... 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Cada coisa em seu lugar

Olá, caros leitores, 

Sei que estou devendo um último post sobre o assunto anterior (O que Deus quer de mim?), mas resolvi dar uma pausa para publicar minhas anotações sobre o último sermão que meu marido, Rev. Fernando de Almeida, pregou em nossa igreja no domingo passado.

Ele trabalhou aspectos dos capítulos 1 a 3 de Gênesis e ressaltou questões que até então eu não havia me atentado. 

Veja os tópicos:

  1. "Para ser meu povo, você precisa entender sobre gênero, porque eu, o Senhor, criei o homem e depois a mulher. Eu os defini dessa forma e eles refletem a minha imagem!" ("Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." - Gn 1.27). Interessante, não?!?! E verdadeiro.
  2. Ao pedir que Adão dê nome aos animais e depois dê nome à Eva, ele está definindo quem está no comando da família. 
  3. Gênero é essencial pra ser povo de Deus. Não conseguir distinguir homem de mulher é destruir a imagem de Deus no ser humano! (Infelizmente, isso tem se tornado comum em nossos dias.)  
  4. Eva não foi testemunha das ordens de Deus. Isso significa que o que ela sabia quanto à árvore do conhecimento do bem e do mal, foi dito por Adão, seu marido. 
  5. A serpente, ao tentá-la, detecta uma falha de comunicação entre os dois: Eva diz que o fruto não poderia nem sequer ser tocado, algo que Deus não disse. ("E ela perguntou à mulher:“Foi isto mesmo que Deus disse:‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?”". Gn 3.1).
  6. Essa deixa é usada pela serpente para colocar Eva, não contra Deus, mas sim contra o seu marido ("Disse a serpente à mulher:“Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal”." 3.4,5). Ela estava contrariando o que Adão e o próprio Deus tinham dito. 
  7. A destruição da família, instituída por Deus, e representada por Adão e Eva, está no topo dos planos do inimigo. 

Em suma, Deus quer separar para si um povo que seja sua vitrine e isso passa por três pontos:

  • definição de gênero
  • constituição conjugal
  • definição de família (casamento e filhos!!!)

Somos a vitrine de Deus, nossa família é a amostra que está à vista para o mundo. O que acontece no mundo ao nosso redor, é na verdade, o reflexo do que ocorre na família. Nossa meta é sermos "esquisitos" aos olhos do mundo, um reflexo da imagem de Deus, lutando arduamente para viver e apresentar papéis bem definidos em nosso lar.

Como fazer isso? Empreendendo esforços para resgatar a imagem de Deus em nós, e isso só é possível quando Jesus Cristo, o responsável por trazer essa regeneração, é adorado e imitado em nosso lar. 

O que posso dizer?

  • Ser vitrine para o mundo é uma grande responsabilidade, mas Deus não nos chamou para uma vida fácil.
  • A família é um lugar onde os papeis que competem a cada um, aqueles que Deus instituiu, são muito bem delimitados. O marido no comando, a mulher auxiliando e filhos obedecendo.

É por meio dessa dinâmica que Deus se revela, e nossa luta deve ser aplicá-la com toda veemência. Só dessa forma será possível revelar a verdadeira imagem de Deus. Sendo Jesus  a imagem perfeita do Pai, nossa tarefa é imitá-lo em tudo.

Uau, que ele nos dê forças pra isso!

Amém!

  

sábado, 26 de abril de 2014

Dona de casa, mãe, profissional... O que Deus quer de mim? (parte 2)

No último post, (clique aqui) tratamos de mostrar a evolução do Movimento Feminista e sua influência no pensamento da sociedade de hoje, inclusive no meio cristão. Terminamos com a seguinte pergunta: “Mas afinal, porque os ideais do Movimento Feminista foram tão amplamente aceitos e absorvidos até mesmo por mulheres que amam a Deus e sua Palavra?”

Pois bem, podemos responder essa questão sob a seguinte perspectiva:

1.      O Movimento Feminista surgiu com um objetivo legítimo: contrapor-se ao que conhecemos por machismo. O machismo nada mais é do que uma deturpação do modelo de liderança masculina criado pelo próprio Deus. Em outras palavras, esse desvirtuamento do que Deus planejou como papel a ser desempenhado pelo homem, fez com que seu olhar sobre o valor e importância da mulher ficasse contaminado por suas aspirações pecaminosas. Como resultado, por muitos e muitos anos, até mesmo dentro da cultura judaica, a mulher foi considerada um ser inferior, de somenos importância, deixando de ser valorizada em suas características e capacidades. Sob essa ótica corrompida, muitos de seus direitos e reconhecimento foram ceifados, ela passou a ser de certa forma subjugada, sendo muitas vezes tratada com austeridade por seu marido. Olhando por esse ângulo, é possível notar o quanto o machismo adulterou o que Deus havia instituído, disponibilizando então ferramentas que foram utilizadas pelo Movimento Feminista. A publicação de um texto intitulado:  “Vindicação dos Direitos da Mulher”, publicado na primeira metade do século XVIII, é uma prova disso.

Diante de tal perspectiva, podemos pensar que tais reivindicações tiveram um motivo justo e não é de se estranhar o quanto essa nova visão foi difundida e amplamente abraçada por mulheres do mundo inteiro.

2.      Mas há uma outra razão que explica a grande adesão ao Movimento Feminista. A verdade é que ele toca num dos ídolos do coração da mulher, que é o seu desejo de governo! Há no nosso coração feminino (sensível, delicado... rs...) uma marca da Queda, um impulso que nos faz aspirar por comando. O problema é que nós não fomos criadas para isso, Deus nos cria para ser auxiliadoras e não chefes. Embora a luta desse movimento tenha sido pelo resgate do valor que o próprio Deus conferiu à mulher, e podemos estar certas desse valor que é nítido em diversos textos da Palavra (Confira: Gn 2.18; Ex 20.12; Ef 6.2; Pv 1.8), o feminismo caminhou alijado das Escrituras e pendeu a um outro extremo. Na tentativa de trazer de volta a importância do papel da mulher tal visão também foi deturpada, gerando uma total inversão de papéis. Agora, a mulher não é vista como inferior, mas também não anda em paralelo ao homem, ela assume a liderança, crendo que (como vimos no post anterior) não deve se submeter aos comandos de seu marido.  

É verdade que olhar pra nós mesmas dessa maneira pode ser muito doloroso, mas jamais devemos nos esquecer que a luta contra o pecado é doída e não podemos sucumbir a ela

Voltemos ao texto de Gn 3.16. Observamos que Deus profere ali um sentença como resposta ao pecado cometido por Eva. Olhamos esse texto sempre de forma negativa, principalmente quando nos deparamos com a expressão: “seu desejo será para o seu marido, e ele te governará”. Mas é preciso encarar essa frase com mais cuidado. Se pararmos para analisar a atitude de Eva, vamos perceber que ela tomou a iniciativa de comer do fruto da árvore que Deus havia ordenado que não fosse consumido. Ela passou ao posto de liderança, não consultou seu marido antes de tomar essa decisão, agiu por conta própria, vislumbrada pela possibilidade de ser conhecedora do bem e do mal. E todas nós sabemos qual foi a consequência de tal atitude. 
Quando Deus então profere essa sentença a Eva, suas motivações, embora passem por sua ira e justiça, são também baseados em seu amor infinito. O “castigo” ali proferido, na verdade deixa transparecer esse amor, pois sua intenção é restaurar aquilo que ele mesmo criou.  Ao pronunciar aquelas palavras podemos notar o quanto Deus mostra seu cuidado para com Eva, ao resguardá-la de seu desejo por domínio, ensinando-a a confiar ao seu marido a liderança de seu lar.

Você já havia analisado o texto de Gênesis 3 sob esta ótica? Com essa visão, deveríamos ainda mais glorificar a Deus por fazer tudo de forma tão perfeita, dispondo as coisas em seus devidos lugares, mostrando que homens e mulheres são valorosos aos olhos do Senhor, cada um à sua maneira.


No próximo post, vamos tratar com mais detalhes as consequências do Feminismo no cotidiano, e como Deus e sua Palavra nos exortam a resgatar os planos que ele mesmo traçou para nós. Aguarde!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dona de casa, mãe, profissional... o que Deus quer de mim? (parte 1)

Antes de iniciarmos nossa reflexão, é preciso que tomemos algumas atitudes importantes:

- Primeiro, temos de admitir que esse é um assunto um tanto complexo, polêmico, e que tem gerado muitas dúvidas e equívocos em nossos dias. Por isso, para tratarmos da questão com muita cautela e seriedade é fundamental que comecemos nos colocando diante de Deus em atitude de oração. Peça a Deus que seja ele o real mensageiro deste estudo, usando apenas um vaso de barro para a explanação de sua Palavra. Rogue a ele para que sua voz seja reconhecida enquanto investiga esse tema.
- Em segundo lugar, é imprescindível uma postura de total e sincera humildade. Todos nós já temos ideias pré-concebidas, opiniões, sobre o assunto em questão. Por isso, após orar ao Senhor, tente despojar-se de todas as suas concepções, seus pressupostos pessoais a fim de que seja possível ser moldada conforme a Palavra de Deus. Devemos estar dispostas a talvez derrubar alguns pilares sobre os quais nos alicerçamos, pois muitos deles podem ser enganosos e mundanos. Nossa postura diante das Escrituras deve nos levar a um constrangimento tal que sejamos capazes de jogar por terra os ídolos do nosso coração!

Devemos tentar responder as seguintes perguntas:
- É pecado a mulher cristã trabalhar fora de casa?
- É errado a mulher querer ter uma carreira?
- À luz da Bíblia, é errado que a mulher queira estudar, se formar e buscar conhecimento?

Mulher trabalha fora: de onde veio essa ideia?

Muitas mulheres, ainda que de forma equivocada, lançam mão do texto de Provérbios 31 pra dizer que a Bíblia autoriza a mulher a exercer uma profissão fora de seu lar. Não quero dizer com isso que ela desautoriza, mas primeiro é preciso analisar o argumento que tem esse texto como respaldo.
É verdade ser possível encontrar alguns indícios de que aquela mulher descrita pelo Rei Lemuel, a chamada “mulher virtuosa”, possuía dupla jornada, exercendo atividades que ultrapassavam a esfera de seu lar.
Veja os seguintes versos: “Como os navios mercantes, ela traz de longe as suas provisões.” (v. 14); “Ela avalia um campo e o compra; com o que ganha planta uma vinha”. (v. 16); “Administra bem o seu comércio lucrativo, e a sua lâmpada fica acesa durante a noite”. (v. 18).

Embora os versículos destacados nos deem margem para pensar que a mulher virtuosa trabalha dentro e fora de sua casa, não podemos jamais nos esquecer do contexto em que essa situação se dava.  Ler o texto sem a preocupação de contextualizá-lo pode nos levar ao risco de interpretá-lo erroneamente.

Ao analisarmos Provérbios 31.10-31, devemos levar em conta as características do modelo econômico da época em que o livro foi escrito. O que predominava no período era a economia de subsistência, ou seja, o sustento da família provinha do próprio lar. Cada núcleo familiar tinha domínio sobre uma porção de terra, a qual era utilizada para semear, criar animais, e assim suprir as necessidades da casa. Os filhos, na medida em que iam crescendo, também participavam de tais atividades. Os meninos, como os filhos de Jacó, ou os filhos de Jessé, muitas vezes acompanhavam seu pai cuidando dos rebanhos e realizando trabalhos mais pesado. Já as filhas eram educadas para realizar atividades e tarefas domésticas, cuidar do preparo de alimentos, confecção de roupas, e outros detalhes que cabiam à mulher. Enfim,  homens e mulheres exerciam funções diferentes, visando o bem comum de seu lar. Diante disso, é errôneo afirmar que o texto de Provérbios 31 nos dá margem para defender o trabalho da mulher fora do âmbito familiar, já que ela jamais abria mão de sua responsabilidades como esposa e mãe, tão evidentes na passagem.

Mas afinal, de onde vem essa ideia? Quando foi que as mulheres começaram a deixar suas tarefas domésticas e a se inserir no mercado de trabalho?

Não há como discorrer sobre essa questão sem falar sobre o Movimento Feminista.
Vejamos como se deu a evolução do movimento:

  • As primeiras concepções do Movimento Feminista surgem logo após à  Revolução Francesa, quando em 1848 acontece a Convenção dos Direitos da Mulher na cidade de Nova York.
  • Depois, com a Revolução Industrial no século XVIII e a presença de muitas mulheres e inclusive crianças, em postos de trabalho iguais aos dos homens, o movimento ganha força.
  • Um outro fator de influência foi a proposta de luta de classes do marxismo. Essa visão contribuiu para fomentar a ideia de que a mulher deveria ser livre da “opressão” de seu marido, já que esse modelo de relação familiar, no qual o homem é o provedor e líder, passou a ser visto como nocivo às liberdades individuais.
  • Já no século XX, com força total, as ideias do Movimento Feminista passam a compor o pensamento da sociedade contemporânea, alimentando ainda mais a visão de que a mulher não precisa e nem deve depender do homem para alcançar seus objetivos. Sua luta passa a ser pela defesa de seus direitos às últimas consequências, buscando uma suposta liberdade e independência, e tentando ocupar postos até então de predomínio masculino.

Enfim, todos esses elementos levaram muitas mulheres a mudar o modo de enxergar sua própria vida. Elas passaram a olhar com desprezo seu papel de esposa, dona de casa e mãe. Sua visão sobre o homem se tornou distorcida. Agora, ele não é mais visto como o cabeça, o líder de seu lar, e sim como um igual, ou alguém indigno da submissão de sua esposa. Essa nova perspectiva casou um impacto profundo no que tange ao papel da mulher, tornando a busca por uma profissão sua fonte de realização e uma forma de alcançar destaque na sociedade.

Agora, vamos refletir um pouco. Diante de todos esses aspectos será que não há algo errado? Será que somos capazes de notar o quanto eles estão distantes dos preceitos bíblicos que Deus deixou para nós, mulheres cristãs? Será que tal ponto de vista tem nos levado a honrar a Palavra e validar seus ensinamentos em nosso cotidiano?
Mas afinal, porque os ideais do Movimento Feminista foram tão amplamente aceitos e absorvidos até mesmo por mulheres que amam a Deus e sua Palavra?

Podemos responder a essa pergunta e existe uma explicação para isso. Não perca o próximo post!