segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Por que me sinto tão cansada? (Parte 1)


No universo feminino, a palavra “multitarefas” parece fazer todo sentido. Não há como ignorar o volume de atividades que competem a uma mulher, ainda mais quando se é dona de casa, casada e mãe. Listar esses diversos afazeres durante um único dia, pasme: o resultado pode ser assustador. Uma mulher é capaz de realizar centenas de tarefas diárias, que só se encerram, não porque elas acabam, e sim porque o organismo já começa a dar sinais de que está na hora de recarregar as baterias. Embora a realização de todas essas competências seja motivo de orgulho e traga dignidade à mulher, na prática, se elas não vierem acompanhadas pelas motivações corretas, não vão passar de canseira e enfado.

Além de todas as responsabilidades que nos cabem, ainda passamos o dia tentando digerir os nossos problemas. Circunstâncias que envolvem o relacionamento conjugal, a educação dos filhos, alguma enfermidade, situações absolutamente triviais a qualquer ser humano, mas que podem contribuir para um estado de tamanho desconforto e exaustão a ponto de alterar até o modo como enxergamos a vida. Salomão disse uma vez: “Todas as coisas trazem canseira. O homem não é capaz de descrevê-las; os olhos nunca se saciam de ver, nem os ouvidos de ouvir. O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.” (Ec 1.8,9). Sempre temi chegar ao fim dos meus dias e pensar: tudo é vaidade e correr atrás do vento.
Não é de se admirar o fato de que muitas mulheres no nosso tempo, inclusive no meio cristão, sintam-se exauridas em suas funções, como se os dias fossem tão enfadonhos a ponto de ter que sofrê-los. O resultado dessa sensação vai desde a preguiça, desânimo, ira, murmuração até chegar à depressão.

Quem já passou por momentos assim sabe exatamente do que eu estou falando. São aquelas horas em que ansiamos por um dia com mais de 24 horas e ao fim dele desejamos ser reconhecidas, valorizadas pelo que fizemos, e só nos sentimos satisfeitas quando isso é notado e destacado. O problema é que nem sempre isso acontece e se a qualidade dos nossos afazeres depender de tais condições, além de ser um erro, vamos sempre nos sentir sonegadas. Além do mais, esse mal estar acaba contagiando quem está a nossa volta, tirando a paz do nosso lar. A questão é: como sair desse ciclo vicioso no qual muitas vezes estamos inseridas? O que será que está gerando essa sensação? Onde é que está o erro?

Todas essas perguntas me trouxeram grande inquietação e me levaram a pensar que o que estava faltando mesmo tinha a ver com aquilo que eu uso para "reabastecer o tanque", ou seja, aquilo que é crucial pra me manter de pé.
Para garantir a vida de uma planta ou um animal, por exemplo, é necessário que haja no ambiente, ar, água, alimento e luz solar. Faltando qualquer um desses elementos a sobrevivência de qualquer ser vivo está comprometida.

Acontece que o ser humano não é composto apenas de matéria orgânica. Quando Deus nos criou ele colocou em nós do seu fôlego de vida e passamos a ser “alma vivente”. Nós humanos somos a única criação de Deus a qual ele comunicou de si mesmo, ou seja, do seu Espírito. Nossa composição não é de apenas corpo, em nossa essência há também o espírito.
Pensando sob essa ótica, o problema de nos sentirmos muitas vezes tão esgotadas em nossas responsabilidades tem uma relação direta com o modo como estamos alimentando o nosso espírito! E a pergunta é: como então podemos fazer isso?

Uma das ferramentas mais importantes que Deus já deixou em nossas mãos chama-se: oração. John MacArthur, em seu livro Chaves para o Crescimento Espiritual, defende a ideia de que a oração é a “respiração do cristão”.  E ele continua: “Alguns crentes andam tão abatidos e exaustos por que prendem sua respiração espiritual, quando deveriam estar abrindo seus corações para Deus e recebendo o ar divino que os cerca, a presença de Deus”.
O reformador Martinho Lutero, ao escrever a um amigo sobre o papel da oração disse: “É uma boa coisa fazer da oração a primeira obrigação da manhã e a última à noite. Guarde-se dos indiciosos pensamentos que ficam sussurando em sua mente: ‘espere um pouco’, ‘daqui a uma hora eu vou orar’, ‘preciso antes terminar isto e aquilo’. (...) Temos que vigiar para não colocar a oração em plano secundário, com o pensamento de que este ou aquele trabalho é mais urgente, o que não é verdade, e finalmente nos tornemos indiferentes, preguiçosos e negligentes com respeito à oração.”
Confesso que ao ouvir essas palavras me senti profundamente impactada e comecei a perceber que muitas das minhas inquietações e queixas estavam associadas a uma vida de oração deficitária!
Ao escrever para os crentes de Tessalônica, o apóstolo Paulo diz uma frase que jamais deve ser negligenciada: “Orai sem cessar”. Isso significa que não se pode passar um dia inteiro sem entrar na presença de Deus em oração. Não é à toa que muitas vezes nos falta o fôlego necessário para as demandas do dia a dia. É pela oração que estabelecemos nossa intimidade com Deus a ponto de confiar a ele desde o que é mais simples, como por exemplo, responder todos os dias à pergunta: “por onde eu começo?”, até aquilo que poderia nos tirar o sono! Redescobrir essa verdade é algo libertador! Resgatar essa prática torna-se fundamental! Será que não está na hora de repensar como anda nossa vida de oração?
Continua...