sexta-feira, 18 de março de 2011

Vende-se alegria...

Dias atrás li um texto que recebi por e-mail que só fez aumentar o tamanho da minha indignação com esse bombardeio de ofertas e propostas de compra que recebo todo dia via e-mail ou sites de relacionamento. São propostas “irresistíveis” para viagens, roupa nova, bolsa a preço de custo, sapatos de marca, jantares elegantes, pratos exóticos seja lá o que for. É impressionante que sob o pretexto do preço mais baixo viabilizado pelo volume de inscrições e acessos acabamos nos convencendo de que temos que ter tudo aquilo que nos é ofertado, pois do contrário, nossa vida não tem a menor graça. Será?
As inúmeras ofertas e oportunidade imperdíveis, parecem brotar como erva daninha em terreno abandonado.  A ironia disso tudo é que se não nos cuidamos essa metáfora acaba virando realidade e vai dominando nossa mente a tal ponto que nos pegamos começando o dia ansiosos pelas novas sugestões de consumo, como se não pudéssemos passar sem elas.
No texto que li, o autor questionava justamente um fenômeno que é corriqueiro nesse mundo capitalista em que vivemos, o culto ao “melhor”. Melhor carro, melhor celular, melhor laptop, melhor tênis, melhor calça jeans, melhor restaurante, melhor viajem, e por aí vai. Coisas essas que até certo ponto parecem legítimas, afinal, buscar melhorar de vida não é nenhum pecado. O problema é quando isso provoca uma doença, uma doença na alma, que fica viciada no “melhor” e não tem olhos pro que já se conquistou. As conseqüências podem ser desastrosas. Muitas pessoas e até mesmo famílias tem sucumbido à tentação do ter em detrimento do ser. Não quero dizer com isso que sou a favor de privações ou que não concordo com a busca pelo melhor preço a ser pago num produto. Acho, inclusive, que compras em ambiente virtual, por exemplo, podem ser muito mais vantajosas na relação custo/benefício do que em muitas lojas físicas. A questão é que estamos sendo invadidos em nossa privacidade quando abrimos um dos meios de comunicação mais pessoais e particulares e nos deparamos com uma chuva de informes publicitários, que em sua maioria são bem atraentes. O apelo ao consumo tem assediado gente de todo tipo, de todas as idades e, a meu ver esse apelo constante só faz aumentar os sentimentos de frustração, inferioridade, e a sensação de que só se é feliz se há poder de compra.
Seria bom pensar numa maneira de não ficarmos tão expostos a essas chamadas “irresistíveis”, quem sabe nos desvinculando de alguns grupos ou simplesmente cuidando pra trazer à memória o quanto somos afortunados.  

O que me motivou a escrever esse texto, a princípio foi uma inquietação diante da atitude alheia, de um fator externo a mim. Claro que isso não significa que aprovo esse procedimento, continuo a condená-lo, pois acho muito invasivo receber diversas vezes ao dia informações sobre como e com o que devo gastar meu dinheiro.  Ao final da reflexão, porém, noto que essa indignação na verdade deveria começar com as minhas próprias atitudes e reações diante do problema.
 Talvez falte em nós a necessidade de simplesmente agradecer pelo que se tem.  Já dizia o apóstolo Paulo ao seu amigo Timóteo: “Se há o que comer o com o que nos vestir, estejamos contentes”. E olha que essas palavras vieram de alguém que sabia por experiência própria o que é o não ter. O mais interessante de tudo é que justamente o não ter foi o que fez de Paulo um homem que sabia viver contente em toda e qualquer situação. Vou procurar me lembrar disso a próxima vez que estiver diante de uma oferta imperdível. Isso sim é um desafio!

Um comentário:

  1. Ai, Sú... isso é uma verdade grande! Nossos olhos são uma porta de entrada e tanto, não?! Por isso que a internet se tornou uma fonte de consumo desnecessário.
    Eu tomei algumas medidas: excluí emails de sites de compras (não recebo mais aquelas grandes oferas todos os dias), não entro em sites apenas para "dar uma olhadinha" e nem olho links sugestivos!
    Tem funcionado bem. Acho que já tem uns 6 meses que não compro nada online!! rsrs
    Em relação às lojas físicas, não passeio em shopping, não entro em lojas para "dar uma olhadinha" sem que exista a possibilidade financeira real de comprar algo que me agrade.
    Adorei!
    Bj!

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